O EU DENOTATIVO E O EU CONOTATIVO

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Sabemos que denotação na linguagem é a formal literal do significado de uma expressão, e a conotação é o sentido figurado de uma expressão. Aqui, abordaremos estes termos em uma visão psicológica, pois falaremos do eu em duas dimensões: a denotativa e conotativa. Isso em uma dimensão psicanalítica.
Na psicanálise, falamos dos conteúdos manifestos e dos latentes. Você tem ideia do que estou falando? Esclarecendo os termos, podemos dizer que quando uma pessoa se submete ao tratamento psicanalítico, a análise, o psicanalista conjuntamente com essa pessoa buscam investigar os conteúdos do inconsciente. E nessa busca, muitas vezes, o psicanalista compreende quer por detrás das palavras ditas (conteúdo manifesto) pelo paciente há um conteúdo que quer ser manifestado pelo paciente (conteúdo latente), mas alguma coisa (uma defesa) o impede. Aqui, podemos falar do eu conotativo que impede a expressão do eu denotativo, estamos dando o significado para o eu denotativo como o eu real e o conotativo como o eu idealizado, ou a figura do eu que criamos. Mas é importante lembrar que o eu verdadeiro é dinâmico e vive uma contínua mutação, ou seja, o eu de ontem não é o eu de hoje e não será o eu de amanhã.

É preciso dar espaço para o eu denotativo. E para isso faz-se necessário passar por um processo de restruturação dos espaços que temos dentro de cada um de nós, podemos falar da restruturação psíquica que englobam os campos: afetivo, emocional, memória e vontade.
Muitas vezes, o eu denotativo vive como prisioneiro do conotativo, pois a sociedade e seus ditames engessam as pessoas. E estas com medo de serem rejeitadas assumem personalidades fictícias. E o peso dessa personalidade criada pode ser muito grande. Assim, torna-se necessário descarregar esse peso com alguém, pois coisas desagradáveis podem vir ocorrer, como os males que atingem a harmonia interior causando desconfortos.
É necessário, para a nossa boa saúde psíquica, dar o espaço para a manifestação do eu denotativo, pois isso permitirá sermos mais livres e espontâneos. Sendo, desse modo, pessoas reconciliadas conosco mesmas. Isso é como levar oxigênio aos nossos cérebros possibilitando, de algum modo, a neuroplasticidade.
O tratamento psicanalítico permite um diálogo entre os vários eu que existem dentro de cada pessoa. Isso tudo para permitir o livre-arbítrio do eu verdadeiro.

Por: Edson Carlos de Sena – psicanalista

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